quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Apagões da alma

Estou num ano difícil, tanto que não fiz nenhum post em 2015. Conhecendo a mim mesma sei que não escrever é um indício forte de que as coisas estão um pouco escuras por dentro. É difícil a gente falar assim, publicamente, da própria escuridão, não é? É sim, mas eu falo da minha em nome de muitas outras pessoas que também estão tendo um ano difícil. Eu falo dos "apagões da alma" que inevitavelmente chegam, uma hora ou outra, com menor ou maior intensidade, para os simples mortais que estão tão suscetíveis aos ciclos inconstantes da vida. Quem está encarnado já passou ou ainda vai passar por isso em algum momento. Fato!

Em estado latente de alma apagada a gente não vê cores, não sente vontade de estar com as pessoas, não quer falar, não quer ouvir. E às vezes não existe motivo nenhum para estar assim, só cansaço! Passa a ser atraente o refúgio do lar, as horas de sono, que ficam incrivelmente encantadoras. O isolamento passa a ser o programa mais incrível de uma alma apagada.

Se ninguém acende um fósforo você vai ficando ali, escurecendo lentamente, sem perceber. Quando notamos a vida perdeu a graça e a gente se sente um derrotado, uma pessoa sem valor. É triste isso, né? E é mais triste ainda que poucas pessoas percebem, porque está todo mundo cuidando da própria vida e travando batalhas pessoais. Não é sempre que nos dispomos a olhar pra fora da nossa caixinha. E por não perceber, às vezes a pessoa com a alma apagada passa por antipática.
Muitas vezes este ano eu devo ter sido julgada como tal.

Sabe, viver é às vezes mesmo muito cansativo. E essa luta determinada pela "sociedade" pra ser feliz, para ter tudo que a gente quer, essa batalha pra alcançar os sonhos, pra conseguir se livrar dos problemas, pra conquistar os outros, pra andar com as contas em dia, pra aguentar os malas de plantão, pra parecer sempre satisfeita... CANSA! Leva à estagnação.

E viver BEM pode ser tão mais simples... acredito que seja só se contentar. Se contentar sem acomodar. O contentamento acende a luz da alma apagada. O contentamento traz as cores, os sons e os sabores todos de volta. O contentamento é o que mais falta nesse mundo tão tecnológico, moderno, com os relacionamentos aparentemente facilitados pelas redes sociais. Pouca gente se contenta com o dia de hoje somente, com a refeição do dia, com os compromissos do agora, com um sorriso de bom dia, com uma noite de amor... o querer mais e mais e mais que vai apagando aos pouquinhos a gente. A ânsia pelo futuro, a insegurança pelo o que virá... e como virá e como será. Tanta ansiedade, tão pouca paz. Tanta gente perdida, se perdendo, entrando na escuridão sem perceber!

Comecei a ver a vida de pessoas próximas a mim, não todas fisicamente próximas, mas pessoas do meu coração. Quanta coisa triste acontecendo para alguns de meus caros também. Queria saber porque o mundo está assim!

É bom que você saiba, você que me achou em algum momento deste ano quieta, ausente, omissa, antipática... saiba do meu apagão e do meu esforço para encontrar de novo a porta de saída deste tempo tão sem graça, tão sem brilho, tão escuro! Tão triste.  Às vezes a alma está tão vazia que o melhor que podemos dar é o silêncio.

E escrevendo este post eu penso: como a vida é transitória! Como tudo é movimento! Porque quando tá tudo bem não fica tudo bem e pronto? Quando está tudo feliz ninguém pára pra pensar que o que é bom também passa. E passa... mas passa também a escuridão! Quando sobrevivemos à tristeza parece que a luz volta mais abundante, saímos do escuro mais maduros e fortalecidos. Nos sentindo mais gente. Não é?

Graças a Deus que é assim! Graças a Deus que passa.

O meu post de hoje vai pra todo mundo que está sofrendo em silêncio, no escuro.
Principalmente para aquele que não quer que ninguém saiba de sua dor.
E vai também como um pedido de desculpas, por dias omissos, por comportamentos frios.
Às vezes... por não amar o suficiente.








segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O tempo das coisas...



Eu tenho uma "secretária do lar" completamente fofa: Lurdes, que cuida de mim, das meninas e da casa tão bem, que até parece uma enviada da minha mãe pra tomar conta da gente! A Lurdes tem uma mão incrível para plantas e ela também é a responsável por cuidar disso aqui em casa. Eu até amo essas coisas, mas não tenho tanta habilidade (ou nenhuma... rsrsrs...) como ela.

Esse ano a Lurdes plantou várias roseiras no  quintal e no canteiro que fica na entrada de casa, mas só vingou uma, que cresceu com uma dificuldade imensa. Volta e meia a Lurdes lamentava pra mim, com o maior pesar, dizendo que achava que a única que tinha sobrado não ia vingar também. Que dó! Os cavalos que passavam pelo canteiro à noite comiam as folhas que nasciam... além da seca que tivemos no segundo semestre, que missão difícil para a roseira sobreviver, né? E assim foi indo aos trancos e barrancos.

E nós, na correria do dia a dia, nem percebemos que ela se fortaleceu com a chuva... e eu, num domingo, desavisada, sentei para arejar a cuca na porta de casa, quando meus olhos foram puxados pra roseira, certamente ela me chamou pra ver o que estava acontecendo: vários botões perfeitinhos que logo logo seriam lindas rosas. Fiquei tão feliz, mais pela Lurdes do que por mim e a roseira... rsrs...

E assim, uns dias depois, elas surgiram, LINDAS, IMPONENTES, VIVAS, VERMELHAS!!! Vencedoras as danadinhas! Deram um "tchan" incrível na entrada da casa. Outro dia até fotografei as belezuras pra registrar essa história linda delas. E quando estava fotografando comecei a pensar no tempo das coisas e em como somos intolerantes com isso, né? Eu me confesso uma intolerante nata, mas sei que
tenho aprendido bem com a vida, viu?

Tenho aprendido que a  ansiedade da gente não muda o tempo da vida, que nada faz o tempo certo acontecer antes ou depois do que queremos. O tempo é muito sábio. A roseira teve muitas dificuldades pra crescer, mas ela precisou do tempo dela para desabrochar... e desabrochou, lindamente!

Então é isso, torço aqui para que as minhas e as suas rosas desabrochem em 2015 exuberantes, fortes, coloridas... e no tempo certo! E que a gente possa ter tolerância e fé na nossa caminhada para termos tudo de bom que a gente merece! Beijos!




domingo, 7 de dezembro de 2014

Bituca em Pedralva: a história do sonho


Eu tenho uma memória de ouro, lembro de coisas da minha infância e de vários momentos da vida que nem sei como cabem na minha caixola! São lembranças olfativas, visuais e, principalmente musicais. Então lembro do Milton Nascimento em quase tudo na trilha sonora da minha vida. Quando era criança minha irmã mais velha, a Cláudia, já adolescente, ouvia em fitas k7 os sucessos da época, era por volta de 1981, no auge do disco "Caçador de mim". Como eu achava lindo tudo que a Cláudia fazia e ouvia, ficava de longe ouvindo e curtindo o que ela curtia... e assim fui ficando fã de longe. A Cláudia tinha amigos sensacionais, que volta e meia vinham em churrasquinhos no quintal da nossa casa, e sempre saía aquela roda de violão, e o Milton Nascimento ali, sempre junto. Nossa, como eles gostavam dele! Era Milton Nascimento por todos os lados, no Bar do Iramar, no Piriri, e eu  sempre, um toco de gente, querendo fazer parte, sem poder, dessa turma de gente grande que cantava com a alma!

Eu cresci com a sensação de que só Pedralva amava desse jeito o Milton Nascimento... rsrs... que ilusão a minha! Ele era tão íntimo nosso que parecia um pedralvense, dos mais queridos! Na adolescência formei minha própria turma, e, que novidade! O Milton também fazia parte dela! Mas aí já não era mais Milton, a intimidade cresceu tando que, amigo que é amigo, a gente chama pelo apelido, né? Então nos referíamos a ele, intimamente, como Bituca. E me lembro com tanta emoção da primeira vez que li "Os sonhos não envelhecem", do Márcio Borges, que conta o início do Clube da Esquina, numa narração deliciosa de tudo que eles viveram. Em cada página do livro eu pensava: "não é possível, o Bituca é muito da gente!". E esse sentimento não era só meu, eu tenho certeza que não! Era de todos os amigos da Cláudia, que na fase adulta ficaram meus amigos também, e dos meus amigos da adolescência, que são amigos da vida inteira, numa irmandade pedralvense apaixonada pelo tão íntimo, e ao mesmo tempo, tão distante Bituca!

Perdi a conta do número de vezes que rodamos atrás do nosso Bituca nesse sul de Minas, em São Paulo, no Rio, no Brasil, no mundo! Se o Bituca tocasse na China e tivesse um pedralvense lá, duvido se a nossa cidade não era representada! Porque crescemos com ele assim: totalmente nosso! Hoje eu tenho a consciência plena de que esse sentimento não é só nosso, essa "posse" de amor pelo Milton Nascimento é de Minas, do Brasil e do mundo! Mas que eu achava que essa "fãnzisse" era coisa só da nossa gente, eu achava! rsrsrs...

E Pedralva deu um jeitinho de se fazer notada pelo Bituca, então surgiu a febre do grito "Es-pe-ta-cu-laaaaar!", que começou com o Jú da Daisy num show cover dos Beatles, passou pro Lô Borges, pro Bituca, pra tudo aquilo que é realmente espetacular e virou febre em Pedralva! Esse grito é a expressão de imensa admiração por algo impossível de se expressar, de tão grande que é... uma redundância, mas só grito espetacular pode expressar o amor que a gente sente pela música, porque é um grito que vem lá da alma. E assim fomos notados! Na verdade o Bituca nos reconheceu, porque essa energia pedralvense já devia existir dentro dele de alguma forma. E assim ele soube que existia uma cidade pequeniniiiiiiiiiiiiiiiiiiinha, da mesma Minas Gerais dele, com gente cheia de alma, cheia de amor pelo seu trabalho. 

Mas não bastava a gente viver indo atras dele, né? "Ai que sonho de ter o Bituca aqui na nossa casa!". "Mas que coisa absurda... um ovo de cidade, imagina se ele vem!"... "mas "E SE" ele sentir a gente como o sentimos? Se for por amor, será que ele vem?" ... e essas conversas a gente tinha sempre! Um sonho sendo gerado, alimentado a cada música dele nas rodinhas de violão, em cada acampamento na Pedra Branca, em cada vez que a gente acreditava no improvável, no impossível. 

E esse sonho foi gerado com tanto carinho que caiu aqui, no nosso abraço, no nosso anseio... na nossa Pedralva! Bituca ouviu nosso grito e entendeu o nosso sonho. Topou vir em Pedralva por um valor muito abaixo do que usualmente cobra para se apresentar. Pagou pra ver de perto quem é essa gente! 

Através do Beto, amigo do Bituca de Três Pontas, veio a notícia:

- Bituca quer tocar em Pedralva!

Quase morremos do coração! Frio na barriga intenso. E agora? E agora "vamo que vamo"! Reunimos um grupo de 12 pessoas "peitudas" pra encarar o desafio de organizar esse "trem", um evento de grande porte que nunca aconteceu na nossa cidade. E em dois meses tivemos que correr atras de patrocinadores, coisa dificílima de conseguir com tão pouco tempo. E os dias, antes da assinatura do contato, eram assim: "Não vai dar", "Vai", "Não vai", "Vai"... mesmo ele cobrando um valor irrisório tinham os custos do show, que não eram nada legais! E foi aí, minha gente, que aconteceu a coisa mais linda que eu já vi na minha vida: chegaram os amigos espetaculares: "Vai dar sim!", mil daqui, quinhentos dali e assim... com o esforço de cada um, conseguimos a grana pra fechar o contrato!! Tivemos poucos patrocinadores, gente que acreditou de verdade na gente, e que somos muito agradecidos (Curso G9 / Scapex/ Amplera / Bloco do Pink Floyd / Pedrock/ Turma do Bigode/ FAI e alguns apoiadores: Bar dos 2, Colégio RH, Cachaça da Pedra, Paulo Faria, Pró-Som, Casa Magalhães, Ellen Calçados e Confecções, Arimatéia Lanches, Magazine Santa Edwirges e Boutique Frikote), mas quem está mesmo bancando o show são os Amigos Espetaculares, essa gente linda que tirou dinheiro do próprio bolso pra ver o sonho acontecer. Lindo demais isso!

E o sonho vai acontecer sábado que vem, 13/12/2014. Esse dia, além de ficar marcado na nossa história e no nosso coração, vai ser a comprovação do quanto a energia do amor é poderosa. 

A nossa casa te espera, Bituca! Com todo o amor do mundo!






segunda-feira, 2 de junho de 2014

A arte de fazer sorrir

Fazer sorrir é um dom, né? Um dom dos mais especiais. E pensar que cada pessoa está travando uma batalha diferente dentro de si... e pensar que nunca sabemos exatamente o que se passa dentro dos outros, e pensar que mesmo sem saber a dor que mora lá dentro, o cara que tem o dom de ser engraçado, vai lá e às vezes até sem querer, com um gesto, uma única palavra, um único silêncio... faz a pessoa dar aquela gargalhada gostosa! E que num minutinho todos os problemas desaparecem com as risadas... e que num minutinho o mundo fica engraçado, que o ar entra diferente dentro da gente, que a barriga faz movimentos involuntários deliciosos e a alma fica leve... leve, leve, muito leve. Rir é terapêutico, né? E que lindo quem sabe despertar a alegria nas pessoas!

Eu mesma fui submetida recentemente a essa terapia do riso de um jeito surpreendente. Tenho a imensa sorte de ter comprovado e continuar comprovando a eficácia dessa terapia. Quando parei e pensei: "Nossa, ele foi a pessoa que mais me fez rir esse ano!", todas as minhas fichas caíram! Estava envolvida até o pescoço com o meu amigo, que pela graça da vida, hoje é meu namorado. Mas sei que ele ia me fazer sorrir pra sempre, mesmo se a amizade não tivesse sofrido essa linda metamorfose. Simplesmente porque ele é assim. A pessoa que tem esse dom é um pouco "encantada", né? As pessoas querem estar sempre pertinho dela... sempre esperando qual vai ser a próxima investida engraçada. Porque no fim das contas todo mundo adora rir, né? Todo mundo adora ter esses momentos mágicos de vertigem. Todo mundo precisa disso.

O cara que faz rir também tem dor. Vocês acham que não? Tem sim. Mas mesmo assim ele o faz. Porque isso também o cura... isso também o liberta uns minutinhos das mazelas. Porque rir deve oxigenar o cérebro, deve ampliar nossa visão de coisas boas, deve fazer a gente sonhar com mais fé, deve fazer nosso coração crescer... sei lá!... Deve fazer a gente ser melhor. 

Eu quis escrever sobre isso hoje porque tava pensando em tudo que me encanta no meu "amigo/amor"... e escrevi, porque ele é assim, engraçado, espontâneo! As palavras cômicas saem com tanta naturalidade de dentro dele que parecem nem ter passado pela "caixola", vieram sei lá de onde... do além, quem sabe... de uma parte do além onde só existe gente engraçada! rsrs... e pensar que eu, nas minhas conversas com o "Papai do Céu", sempre pedi pra ter alguém engraçado na minha vida... pra ter um amor que me fizesse rir! Que lindo isso... eu mesma escrevo e eu mesma me emociono... rsrs...

Eu já fui tão triste... mas mesmo assim tive a sorte de sempre ter por perto alguém engraçado que me tirou do fundo do poço. Sempre. E de tudo ficou essa lição: não é remédio que cura a tristeza, é o bom humor!
Porque a vida sem rir é muito triste. Óbvio! Frase clichê... mas é! 
A vida sem rir é chata... a gente envelhece muito rápido sem o ar que falta em uma gargalhada.

Por isso que Deus espalha essas pessoas engraçadas no nosso meio. Permite que convivam com a gente pra nos mostrar que viver sem rir é só sobreviver... e que pra viver, viver de verdade, gostoso, intenso, por inteiro...

Só rindo!
:)



quarta-feira, 14 de maio de 2014

Do picolé de côco branco à delícia da intimidade

Na minha cidade tem uma sorveteria bem tradicional, o "bar do Nenê", que, desde que me conheço por gente, está ali, no mesmo lugar, com o mesmo dono e os mesmos sorvetes. Tudo intacto! E é lá que tem um picolé que me faz perder a cabeça (ou achar a cabeça... rsrs... acho que achar é melhor!): o picolé de côco branco! Esse picolé tem o poder de equilibrar meu astral. Incrível! Eu saboreio tão devagar, com tanta cerimônia e dedicação, que chega a ser um ritual de gostosura! No fim ficam os fiapinhos de côco, chatinhos porque entram entre os dentes, mas deliciosos porque são a prova de que o picolé é de côco de verdade! E eu gasto "teeeeeempo" com ele... vivendo prazeirosamente cada tempo de degustação. E isso é só com ele que acontece, outro não serve... outro não surte o mesmo efeito. Sou fiel ao meu picolé de côco. Somos íntimos, por isso que é tão bom.

Ahhh... como é boooom a tal da intimidade! Ser essência, ser sem medo, ser! E isso só a intimidade proporciona, um contato com o outro desprovido de máscaras, de jogos... de receios. A intimidade permite que você seja inteiro num momento de amor, inteiro com tempo, tempo com qualidade. Tem coisa mais gostosa do que passear na pele vagarosamente de quem você gosta? De quem você tem intimidade?  Não tem, né?

Outro dia li uma matéria muito legal na revista "Vida Simples" (quem quiser ler, super indico, clique aqui), que fala da diferença do fugaz e da intimidade. E numa parte a autora (ótima!!!) menciona os famosos "puladores de galho em galho" e que não tem o prazer de curtir uma intimidade de verdade, achei bacana essa parte: 

"Como num parque de diversões eterno, ficam em longas filas, na chatice da espera, para viver instantes de vertigem. Prefiro gastar meu prazo tomando um vinho com a Intimidade. Essa, é mais próxima da Felicidade. Acho que nunca terminarei de comemorar a permanência do amor como um presente que recebo a cada dia. Um pacote de presente que nunca abro. O mistério de seu conteúdo faz parte da felicidade de tê-lo em mãos."

É isso... eu não troco o meu picolé de côco por nada. Porque o que ele desperta em mim, essa delícia da intimidade, não é pra qualquer um. O côco queimado não tem a menor chance comigo! :)  E sempre que eu tiver que escolher, é a intimidade que vai sempre ganhar o meu coração.

domingo, 20 de abril de 2014

Poderia ter sido você...


Contar a história de vida de alguém é uma grande aventura pra dentro da gente mesmo. Me deparo o todo tempo nos meus dias de trabalho, na produção da biografia da minha cliente amada, com cenas minhas, com frases minhas e com muitos sentimentos meus. Aí fico pensando que é porque no fim das contas nós todos, de um jeito ou de outro, somos iguais. Iguais nos medos, nas dúvidas, nas “cagadas” que fazemos pela vida afora, no amor que não deu certo e naquela maldita chance que a gente não deu para alguma pessoa ou situação que poderia ter mudado completamente, de um jeito bom e surpreendente, o rumo de toda a nossa história.

Ela tem me falado muito sobre perceber tardiamente a importância dos outros, em insights “retardados” que só chegam muitos anos depois, quando não existe mais o menor vestígio do leite derramado. Ela fala com grande sabedoria e aceitação sobre isso e me faz entender que tudo é nosso, sabe? Temos que aceitar a gente sempre com amor, mesmo reconhecendo que boicotamos a nós mesmos. Mas no fundo eu percebo uma pontinha de tristeza no olhar, às vezes perdido, vislumbrando, quem sabe, uma vida diferente do que foi.

Nunca vamos saber como teria sido. O que poderia ter sido. E isso não é mesmo um sentimento dos melhores. Hoje escutando sobre uma história de amor que nunca foi história e que nem mesmo foi amor, me vejo em cada palavra, em cada olhar, em cada silêncio dela. Quando eu olho pra trás vejo que poderia ter sido você o amor que eu nunca tive, você que eu não percebi, você que não me percebeu. Você que foi embora antes da hora. Você que ficou sem que eu quisesse. Você que não apareceu naquele dia que eu esperei. Eu que desisti antes do fim. Você que não me viu como eu gostaria que tivesse visto. Eu que nunca nem notei o seu amor por mim.

Isso é vida. Isso é a história de cada um.


E hoje, aqui um pouco dolorida, carrego em mim o desejo de que, quando eu estiver no lugar da minha cliente, quem sabe contando a minha própria história, que eu dê um sorriso bem gostoso, um suspiro só meu, uma despreguiçada daquelas de quando a gente está bem feliz (sabe?), com o coração bem aconchegado e finalize o livro, escrevendo DE-LI-CI-O-SA-MEN-TE: que bom que foi você! 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Eu e o pinhão, o pinhão e nós...

Por esses dias estou me "fartaaaaaaando" de comer pinhão! Ai que DE-LÍ-CIAAAAAA! Comi deliciosamente sentada na grama, num bate papo maravilhoso, nesse sábado à tarde, com um monte de gente querida, e ontem à noite em pé na cozinha com a Cibele, situação não menos especial, mas bem peculiar... em pé, apertadinhas no canto da pia, muito engraçada a nossa "urgência" de comer, como se os danados fossem sair correndo de nós. Porque não sentamos pra saborear o momento com mais calma? Porque cada momento é único, né? E essas urgências... são sempre inexplicáveis mesmo!

Mas a minha viagem com o pinhão "É" uma viagem. O pinhão sempre vem numa fase boa da minha vida e eu não tenho UMA lembrança sequer de ter comido pinhão triste. Eu acho que o próprio ato de comê-lo já me inunda de felicidade, instantânea. Pinhão vem no comecinho do frio, é coisa que a gente não tem sempre, danadinho que faz a gente sentir saudade. Pinhão mora nos lugares que despertam muuuuito amor em mim: nas montanhas. Nas alturas. Onde tudo pode ser visto, onde o vento sopra com liberdade, onde o sol chega primeiro.

E eu adoro quando alguém come pinhão e lembra de mim. No meu aniversário eu sorri com taaaaaanto coração quando a Karina, amiga linda de todas as vidas, mencionou, em uma mensagem linda que ela me escreveu, que nós temos em comum o amor pela música, pela fotografia e pelo pinhão! É tão gostoso quando alguém presta atenção na gente, né? Que sensibilidade ela lembrar que eu gosto de pinhão! Eu amei isso. Certamente tivemos momentos mágicos ao redor de uma panela cheia de pinhão e com muita prosa da "mió" qualidade e ela, sensível como é, deve ter observado meu olhar de menina encantada saboreando essas gostosuras.

Tem gente que não curte pinhão pela complexidade do ato de comê-lo. Mas é essa complexidade que me apaixona... e comigo não tem essa de comer com faca, é na dificuldade mesmo que é legal! Ficar naquela surpresa de como vai ser, se vem um pinhão bom ou aquele que amarga a boca da gente de um jeito horrível... e os amargos vem mesmo de qualquer jeito, mas nada como um pinhão dos bons em seguida  pra tirar essa sensação ruim. Igual a vida da gente mesmo, quem pode saber o que vem a seguir? A gente só pode saber que os bons existem e que amargo nenhum vai tirar da gente a delícia de acreditar em todo o bem que existe.

E viva a temporada de felicidade, das mais simples e mais gostosas que existem!
:)